Exclusivo! Giovanni Augusto comemora volta por cima na carreira e revela ‘pressão’ por primeiro gol na Arena a favor do Corinthians
MARÇO 29, 2016
Em entrevista à Goal Brasil, meia relembrou passado de ‘ilusão’, exaltou a importância da sua família, explicou sua nova função em campo e falou do sonho de ser ídolo do Timão
Giovanni Augusto chegou ao Corinthians há menos de dois meses e não demorou muito para conquistar seu espaço. Totalmente adaptado, o meia, que já fez dois gols com a camisa alvinegra, tem um início que impressiona a comissão técnica. Uma coisa, porém, ainda está faltando. Marcado na história do clube por ter sido o primeiro jogador a balançar as redes na Arena de Itaquera enquanto atuava pelo Figueirense, ele ainda busca desencantar na casa da Fiel a favor do Timão.
Desafio simples perto do caminho de superação que precisou passar até voltar a brilhar nos gramados. Nesta entrevista exclusiva à Goal Brasil , Giovanni Augusto relembrou o passado de ‘ilusão’ que o fez perder o foco na carreira e agradeceu sua família pela força na hora de dar a volta por cima.
Além disso, o camisa 17 falou do sonho de ser ídolo do Corinthians, elogiou o ambiente do elenco, explicou sua nova função em campo, analisou a situação da equipe na Libertadores e disse que a expectativa para a sequência da temporada é a melhor possível. Confira o bate-papo com o meia!
(Foto: Norberto Duarte/AFP/Getty Images)
Goal - Como você tomou a decisão de trocar o Atlético-MG pelo Corinthians?
Lembro que as coisas aconteceram muito rápido. Estava no Atlético-MG quando surgiu um comentário que o Corinthians estava interessado em mim. Como todo jogador, quando recebe alguma proposta do Corinthians, com certeza, começa a passar milhões de coisas na cabeça, porque o Corinthians é um dos maiores clubes do Brasil. Comigo não foi diferente. Fiquei muito feliz de saber que o Corinthians estava realmente interessado em mim e ainda mais feliz quando a negociação começou a avançar. Graças a Deus deu tudo certo no final.
Goal - Você chegou ao Corinthians para suprir as perdas que a equipe sofreu após o título brasileiro. Como é lidar com essa responsabilidade ainda mais sabendo que o clube investiu bastante na sua contratação?
Todos nós sabemos que a responsabilidade é muito grande quando jogamos em um time de expressão e com torcida. Responsabilidade maior ainda de suprir aqueles jogadores que saíram que são de um nível técnico muito alto, de Seleção Brasileira e que deixaram um legado muito bom no clube. Agora, também sabemos das nossas qualidades. O que me deixa tranquilo é saber que posso contar com o apoio do professor Tite e dos meus companheiros, que desde quando cheguei me receberam muito bem. Acho que aos poucos vou conseguindo retribuir o carinho e a confiança que todos têm por mim.
Goal - Quais foram os fatores determinantes para a sua rápida adaptação no Corinthians?
Sem dúvida nenhuma o carinho que todos me receberam quando eu cheguei e a confiança do Tite, que é um cara que sabe muito de futebol, que nos deixa a vontade nos treinamentos e passa tudo aquilo que a gente necessita para desenvolver um bom trabalho. Praticamente todos os jogos a gente entra sabendo o que vamos fazer em campo e isso nos facilita bastante.
Goal - Muito se fala que esse grupo do Corinthians é diferenciado. Como é o convívio entre vocês fora de campo?
Realmente é muito diferente. Posso citar como exemplo o Cássio, que é uma referência dentro do clube e conquistou tudo. Você o olha no dia a dia e parece que é um cara comum pela simplicidade, humildade e o jeito de conversar com todo mundo. Com certeza, a primeira coisa que reparei quando cheguei no Corinthians foi a humildade de cada jogador. Isso é muito importante. Tem o próprio Elias, que é outra referência, um cara que conversa bastante e traz alegria. Fico muito feliz de fazer parte desse grupo e espero que a gente possa se unir cada vez mais para buscar grandes coisas... Sempre que dá a gente se encontra para almoçar, jantar ou alguma coisa assim. Esses dias estão sendo muito corridos, mas a gente vai adquirindo com o tempo essa intimidade.
Goal - Já deu pra conhecer um pouco da cidade de São Paulo? O que você procura fazer quando está de folga?
Pior que ainda não, porque está sendo muito corrido, mas já busquei algumas informações de São Paulo. Quando a gente tem uma folguinha, gostamos muito de levar o Vittório (filho do casal) pra brincar no parque. Gostamos também de sair para jantar, então fiquei feliz de estar aqui, porque fiquei sabendo que tem bons restaurantes. Com certeza, vamos procurar ver se é verdade mesmo quando tiver uma folguinha.
Goal - Entre 2010 e 2014, você subiu para os profissionais no Atlético-MG, mas foi emprestado várias vezes e não conseguiu ter sequência em nenhum clube. Como foi esse período até se firmar com a camisa do Figueirense?
Lembro que fui emprestado pelo Atlético-MG em 2010, porque era muito novo e o Luxemburgo achou que eu deveria pegar um pouquinho de experiência. Fiz um bom trabalho no Náutico e retornei em 2011. Aí que veio uma nova história, mas de fracassos. Quando comecei a me destacar na final do Campeonato Mineiro e início do Campeonato Brasileiro, começaram a aparecer falsas amizades, aquela facilidade que você tem na noite e acabei perdendo o foco. Deixei o futebol de lado e priorizei somente a mulherada e as bebidas. Isso me atrapalhou bastante. Lembro que chagava nove, dez horas da noite e tinha que sair de casa pra fazer alguma coisa. No outro dia, apesar de ser muito novo, até conseguia treinar bem, mas acabava totalmente esgotado, não tinha forças pra jogar, meu rendimento foi caindo e o Atlético-MG resolveu me emprestar. Graças a Deus isso faz parte do passado. Fico feliz de ter dado a volta por cima, porque muitos não tiveram essa oportunidade de ter acordado a tempo e hoje tenho uma nova história na minha vida.
Goal - Em que momento você colocou na cabeça que era preciso mudar não só para dar a volta por cima na carreira, mas também seguir tendo do seu lado sua esposa?
Lembro que foi em 2013. Quando fui novamente emprestado para o Náutico, não conseguimos fazer um bom campeonato estadual, a diretoria resolveu afastar alguns jogadores e eu estava nesse meio. Meu empresário foi tentar arrumar alguma coisa pra mim, mas todos os clubes comentavam para ele: “É muito bom jogador, mas não quer nada com a vida, o extra-campo é muito complicado. Melhor não.” Quando ele me ligava pra falar isso ficava bastante chateado. Minha esposa engravidou, o Vittório estava quase pra nascer e lembro que voltando de um treino desses separado fui ver um jogo em que tinham vários ex-companheiros meus jogando e eu naquela situação. Foi quando caiu a ficha. Chamei minha esposa pra conversar e falei que a partir daquele momento iria tentar ser um novo homem e novo jogador. Meu filho estava pra nascer e dependia muito de mim. É um príncipe que chegou na minha vida só pra me dar alegria. Agradeço minha esposa, minha família que mora em Belém e me deu todo apoio e hoje graças a Deus eu pude dar a volta por cima.
Goal - Esse problema pelo qual você passou muitos jovens jogadores também enfrentam. Já chegou a conversar com quem está começando agora, como o Maycon e o Claudinho aqui no Timão?
Não tive muita oportunidade até porque está muito corrido, mas, pelo que deu pra conhecer dos jogadores novos que estão com a gente, eles tem a cabeça muito boa. Ano passado no Atlético-MG a gente fazia muito coletivo contra os meninos da base e depois ficávamos conversando. Com certeza, assim que der, vou chamar o Maycon pra conversar, o Claudinho, o Arana... Acho que é sempre bom a gente dar um toque, porque realmente esse mundo do futebol nos proporciona muita coisa boa, então temos que ficar atentos que é tudo ilusão.
Goal - Hoje você diz que sua prioridade é a família e sonha em se tornar ídolo do Corinthians, mas se chegasse uma proposta de um clube da Europa ou uma oferta milionária da China que decisão você tomaria?
Tenho o sonho de ser ídolo do Corinthians, que é um grande clube e praticamente toda a minha família torce. Hoje em dia, a China é muito forte. Eles chegam com cada proposta que deixam o jogador sem rumo, mas acho que depende muito da família e de como está sua vida financeira. Hoje, graças a Deus, estou conseguindo me estabilizar e dar tudo o que minha família necessita. Sonho sim em jogar na Europa um dia, mas para chegar lá tenho que fazer um bom trabalho no Corinthians. Nesse momento só estou pensando no Corinthians. Espero ficar aqui por muito tempo.
Goal - Sem dúvidas aquele primeiro gol da Arena Corinthians mudou a trajetória da sua carreira. Como é pra você hoje se lembrar daquele momento?
Lembro que o dia após o gol foi o que mais dei entrevista na minha vida. Passei praticamente dois dias só dando entrevista e foi aí que realmente a ficha caiu. Com certeza foi um gol muito especial e que entrou para a história, porque pude ser reconhecido no meu país. Fico muito feliz de ter tido a oportunidade de estar na hora certo no momento certo. Agora estando a favor espero que eu possa fazer muitos gols para dar alegria para essa torcida que merece muito.
Goal - Os dois gols com a camisa do Corinthians até aqui foram fora de casa. Como está a expectativa para marcar o primeiro a favor do Timão na Arena?
(Risos) Expectativa muito boa. O Mancha, que é o rapaz da cozinha, brinca comigo que estava nesse dia que eu fiz o gol lá na Arena Corinthians e agora ele falou: “Agora você está aqui do nosso lado, você pode fazer gol hein. Não é proibido não”. Meio que já estou sofrendo uma pressão dele, mas tudo na brincadeira. Creio que na hora certa o gol vai sair e vai ser uma alegria inexplicável.
Goal - O Levir Culpi te escalava como armador no Atlético-MG, enquanto o Tite tem optado por te deixar mais pelo lado do campo no Corinthians. Isso acaba exigindo mais a parte física. Já tinha atuado alguma vez nessa função? Como está se sentindo?
É a primeira vez. Hoje em dia o futebol está muito dinâmico, então quanto mais rápido você se adaptar em outras posições mais chances você tem de aparecer. É o que procuro fazer. O Tite passou pra mim que me via com qualidade de jogar ali. Fico feliz de ele poder confiar em mim. Não é uma posição fácil, porque você tem que estar muito bem fisicamente para atacar e defender ao mesmo tempo, mas com esse grande treinador que temos do nosso lado.





